Professor Nami Jafet - São Paulo, SP

Sobre a Partida

Na tarde escaldante de 23 de março de 1941, o Estádio da Rua dos Maquis, em São Paulo, testemunhou um espetáculo de pura ofensividade pelo Campeonato Paulista. O Ypiranga, em casa, enfrentava o aguerrido Hespanha, de Santos, em um embate que prometia faíscas, mas entregou uma chuva de gols. Desde o apito inicial, ficou claro que as defesas teriam uma tarde infernal. Os rubro-negros de Vila Independência, liderados pela velocidade de Nininho e a pontaria certeira de Canindé, abriram o placar e pareciam embalar. No entanto, o Hespanha, com a astúcia de Tim e a garra de Pipa, respondia golpe a golpe, transformando o jogo num vaivém alucinante. A cada investida do Ypiranga, que veria Canindé marcar ao menos três vezes e Nininho balançar as redes, o time santista respondia com bravura. Mas a superioridade técnica e o entrosamento do Ypiranga prevaleceram em um segundo tempo eletrizante, onde a bola não parava no meio-campo. O Ypiranga consolidou sua vitória elástica por 7 a 4. Um triunfo que não só rendeu dois pontos importantes na tabela, mas também gravou na memória dos torcedores um dos confrontos mais emocionantes e cheios de gols daquele campeonato, um verdadeiro hino ao futebol-arte da época.