Ulrico Mursa - Santos, SP

Sobre a Partida

Era um domingo de inverno, 1º de julho de 1945, e o Brasil ainda sentia os ecos de uma guerra distante, mas o futebol, ah, o futebol nunca parava. Em Santos, no modesto porém vibrante Estádio Ulrico Mursa, o Jabaquara, o 'Leão do Litoral', recebia o imponente Palmeiras, então o atual campeão paulista e um gigante recém-rebatizado após a 'Arrancada Heroica'. A rivalidade, embora não tão acirrada quanto os clássicos da capital, tinha seu tempero: o pequeno contra o grande, a garra praiana contra a técnica alviverde. O apito inicial mergulhou o público em uma tarde de emoções. O Jabaquara, valente, surpreendeu. Após um lance de pura insistência, o atacante Dema conseguiu vazar a meta defendida pelo lendário Oberdan Cattani, levando a torcida local ao delírio e à incredulidade dos palmeirenses. O ‘Leão’ abria o placar! Mas o Palmeiras de Waldemar Fiume não se dobrava facilmente. A maestria do ‘Capitão da Coragem’ no meio-campo orquestrava a reação. Aos 28 minutos do primeiro tempo, Zezé, com sua velocidade característica, invadiu a área e empatou, trazendo o alívio para o lado verde. O segundo tempo foi um embate de nervos. O Jabaquara se defendia com unhas e dentes, e Oberdan ainda precisou fazer defesas milagrosas. Contudo, a persistência palmeirense foi recompensada nos minutos finais. Liminha, oportunista, aproveitou uma sobra na área e chutou cruzado, estufando as redes e garantindo a virada. O 2 a 1 foi um alívio para o Verdão, que manteve sua campanha vitoriosa rumo às primeiras posições do Paulista, enquanto o Jabaquara saía de campo aplaudido por sua bravura.