Rua Javari - São Paulo, SP

Sobre a Partida

Em 4 de agosto de 1945, um sábado, o Estádio Conde Rodolfo Crespi, a lendária Rua Javari, tornou-se o palco de um embate histórico pelo Campeonato Paulista. O Juventus, o charmoso “Moleque Travesso” da Mooca, enfrentava a aguerrida Portuguesa Santista, vinda do litoral, em uma partida que prometia emoção e raça. O Brasil, recém-saído da Segunda Guerra Mundial, respirava novos ares, e o futebol, como sempre, era o refúgio da paixão popular.

Sob o olhar atento de uma torcida fervorosa, o Juventus começou o jogo impondo seu ritmo. Nomes como o talentoso meio-campista Canhotinho ditavam o compasso, enquanto o goleiro Brandão, uma muralha na meta, transmitia segurança. Aos 28 minutos do primeiro tempo, após uma trama envolvente no ataque, o atacante juventino Lima, conhecido por seu faro de gol, recebeu na entrada da área e, com um chute rasteiro e preciso, abriu o placar, levando a Rua Javari ao delírio.

No segundo tempo, a Briosa, que contava com jovens promissores como Dido (que brilharia futuramente em outras camisas), tentou reagir. A Portuguesa Santista pressionou, buscando o gol de empate, mas a defesa juventina, bem postada, não cedia. Já nos minutos finais da partida, aos 37 minutos da etapa complementar, em um contra-ataque fulminante, Canhotinho, em uma jogada individual espetacular, driblou dois adversários e serviu a bola para Neco, que, com um cabeceio certeiro, selou a vitória por 2 a 0. Uma tarde gloriosa para o Moleque Travesso, que garantiu pontos preciosos e reafirmou sua força no Paulistão daquele ano.