Pacaembu - São Paulo, SP

Sobre a Partida

O ano é 1945. Enquanto o mundo respirava aliviado com o fim da Segunda Guerra Mundial, em São Paulo, o rugido da paixão futebolística no Pacaembu era um espetáculo à parte. Em 19 de agosto, uma tarde de domingo que parecia celebrar a paz recém-conquistada, o lendário “Rolo Compressor” do São Paulo recebia o Santos em um clássico pelo Campeonato Paulista. A rivalidade entre capital e litoral, embora ainda em sua juventude, já prometia embates memoráveis.

Naquele dia, porém, o brilho foi quase que exclusivamente tricolor. O Pacaembu vibrava a cada toque de craques como Bauer e Noronha no meio-campo, orquestrando as jogadas. Mas o protagonista indiscutível foi o “Diamante Negro”, Leônidas da Silva. Com sua genialidade inigualável, Leônidas abriu o placar com um de seus lances mágicos – talvez um daqueles chutes acrobáticos que o consagraram – e logo depois ampliou, levando a torcida ao delírio. Os santistas, que contavam com nomes como Artigas e Antoninho, lutavam, mas eram sufocados pelo domínio paulista.

Não demorou para que o argentino Sastre, com sua visão de jogo apurada e técnica refinada, também deixasse sua marca, ampliando a vantagem. A goleada foi selada por Teixeirinha, um atacante implacável, que fez o quarto gol, sacramentando o 4 a 0 inquestionável. Era uma exibição de força e arte, que reafirmava o São Paulo como favorito absoluto ao título daquele ano. A torcida deixou o Pacaembu em festa, celebrando não apenas uma vitória avassaladora, mas a alegria de um esporte que florescia em tempos de renovada esperança.