Alfredo de Castilho - Bauru, SP

Sobre a Partida

Na ensolarada tarde de 2 de outubro de 1954, o Estádio Alfredo de Castilho, em Bauru, fervilhava. O Noroeste, recém-chegado à elite do Campeonato Paulista após uma campanha gloriosa na A2 de 1953, buscava consolidar sua posição diante do tradicional Esporte Clube São Bento de Sorocaba. Era o embate do interior que prometia faíscas, com a torcida alvirrubra empurrando sua jovem equipe contra um adversário experiente.

Desde o apito inicial, a partida foi um duelo tático. O São Bento, comandado por Antoninho no meio-campo, tentava impor seu ritmo, mas o Noroeste, com o jovem e promissor Gato, respondia com velocidade. Aos 28 minutos, contudo, a astúcia do Bentão prevaleceu: Gema, em um contra-ataque rápido, finalizou rasteiro, abrindo o placar e silenciando momentaneamente a massa alvirrubra. O Noroeste não se abateria facilmente. Impulsionado pela garra de Liminha, que infernizava a defesa sorocabana, o time de Bauru partiu para cima. Aos 65 minutos, após uma linda jogada pela ponta, a bola sobrou para Leleco. Com um chute potente, ele estufou as redes, levando o Castilho ao delírio! O 1 a 1 reacendia a esperança da Locomotiva Alvirrubra.

Mas o futebol é implacável. Enquanto o Noroeste ainda celebrava, um lance de bola parada mudou o destino do jogo. Aos 78 minutos, em uma cobrança de falta ensaiada, Cássio subiu mais alto que a zaga e cabeceou firme, sem chances para o goleiro. O 2 a 1 para o São Bento de Sorocaba era um balde de água fria nos bauruenses. Apesar da pressão final e dos esforços de Didi, o placar não se alterou. O Noroeste, em seu ano de estreia, sentia o gosto amargo de uma derrota dura em casa, mas com a certeza de que havia lutado bravamente contra um adversário cascudo do Paulistão.