Luiz Pereira - Ribeirão Preto, SP

Sobre a Partida

Ribeirão Preto fervia sob o sol de 23 de setembro de 1961. No Estádio Luís Pereira, o "Estádio da Cervejaria", a Pantera da Mogiana – o Botafogo local – recebia o imponente São Paulo Futebol Clube para uma batalha do Campeonato Paulista. Era o clássico embate entre a paixão do interior e a técnica da capital, um teste de fogo para ambos os lados, especialmente para o Tricolor que, apenas um mês antes, lamentava a trágica perda do genial Canhoteiro.

O jogo começou tenso. O São Paulo, com a classe de Gérson e a experiência de Roberto Dias, ditava o ritmo. Foi Benê quem abriu o placar para os visitantes, calando momentaneamente a entusiasmada torcida ribeirão-pretana. Mas o Botafogo, impulsionado pela raça, não se curvava. O artilheiro Zé Carlos, com um chute preciso, incendiou o estádio ao empatar a partida.

A emoção era palpável. O São Paulo, porém, mostrou sua força de equipe, e Laudo, com oportunismo, recolocou o Tricolor em vantagem. A vitória parecia encaminhada para a capital. Contudo, nos estertores da partida, a garra botafoguense foi recompensada: o jovem Zico (homônimo do craque flamenguista que viria décadas depois) surgiu para a glória, marcou o gol do heroico empate por 2 a 2. O apito final do árbitro Sílvio de Almeida selou um espetáculo inesquecível, um ponto precioso para o Botafogo e um tropeço agridoce para o São Paulo, num Paulista sempre imprevisível.