Humberto Reale - Sorocaba, SP

Sobre a Partida

Noite de 18 de agosto de 1965, em Sorocaba. O Estádio Humberto Reale fervilhava, não apenas com a esperança do São Bento, mas com a aura do adversário que entrava em campo: o Santos FC, o esquadrão mais temido do planeta. Pelo Campeonato Paulista, um duelo que, para o time da casa, era a chance de fazer história. Para os visitantes, mais um passo em direção ao título que seria o nono de sua gloriosa história estadual.

A torcida do Bentão, aguerrida, tentava empurrar seus jogadores contra o ballet santista. Mas como deter a magia que emanava de cada passe? Pelé, o Rei, já em seus anos de glória, orquestrava o meio-campo. A defesa do São Bento resistiu bravamente no início, mas o talento alvinegro era inexorável. Pelé, com sua genialidade habitual, abriu o placar, calando momentaneamente a euforia local com um lance de rara beleza. Logo depois, Pepe, o "Canhão da Vila", ampliou com um de seus chutes potentes, talvez em cobrança de falta que explodiu no fundo das redes. Já no segundo tempo, o jovem Toninho Guerreiro, com seu faro de gol apurado, selou o placar em 3 a 0. Uma vitória protocolar, mas que reafirmava a supremacia santista, um time que parecia jogar em outra dimensão, deixando para trás mais um adversário em sua jornada rumo à hegemonia.