Luiz Pereira - Ribeirão Preto, SP

Sobre a Partida

Em um dia cinzento e de expectativa eletrizante, 11 de dezembro de 1965, o Estádio do Pacaembu foi palco de um embate incomum, mas de uma intensidade que marcou o Campeonato Paulista. O Botafogo de General Severiano, visitante em terras paulistas, encarou o tradicional Corinthians em uma partida que prometia fogos de artifício, mas entregou um xadrez tático primoroso. O placar final de 0 a 0 não reflete a grandiosidade do que foi visto em campo.

De um lado, o Alvinegro carioca trazia a magia de Garrincha (mesmo que por um breve período), a visão de Gérson e a agilidade de Jairzinho, comandados pela segurança do goleiro Manga. Do outro, o Timão de Dino Sani ditava o ritmo no meio-campo, buscando a pontaria de Flávio Minuano e a irreverência do jovem Rivellino, que começava a brilhar.

O jogo foi uma aula de marcação e contra-ataques abortados. Lances perigosos foram raros, mas intensos. Manga fez uma defesa monumental em chute de Flávio no primeiro tempo, enquanto o goleiro corintiano espalmou uma bomba de Gérson que parecia ter endereço certo. A rivalidade interestadual, latente em qualquer confronto entre as duas forças, adicionou uma camada extra de drama. Cada dividida era um teste de nervos, cada posse de bola, uma batalha. Ao final, o empate sem gols selou um duelo onde as defesas e a tática prevaleceram sobre o ataque, deixando um gosto agridoce para ambas as torcidas, mas o respeito pela entrega em campo.