Sobre a Partida

Era uma tarde de sábado, 24 de março de 1973, e o Canindé fervilhava sob o sol paulistano. Pelo Campeonato Paulista, um dos mais disputados da história, a Portuguesa de Desportos, forte candidata ao título, recebia a aguerrida Ferroviária de Araraquara. Em campo, a Lusa, sob a batuta de Otto Glória, contava com estrelas como o jovem e genial Enéas, o matador Cabinho e a inteligência de Basílio no meio-campo. Do outro lado, a Locomotiva Grená, liderada por Cabralzinho e com a astúcia de Teodoro, prometia não se intimidar, buscando pontos preciosos na capital.

A partida começou elétrica. Foi a Portuguesa quem abriu o placar, para delírio da torcida lusitana. Enéas, com sua arrancada explosiva e finalização precisa, balançou as redes. Mas a Ferroviária reagiu com bravura: Teodoro, aproveitando um vacilo da defesa, empatou o jogo, calando o Canindé por um instante. O segundo tempo manteve o ritmo frenético. Enéas, imparável, marcou novamente, recolocando a Lusa à frente e fazendo a torcida sonhar com a vitória. No entanto, a Ferroviária tinha um último fôlego. Em um lance de bola parada, o zagueiro Wilson subiu mais alto que todos e, de cabeça, decretou o empate em 2 a 2. Um jogo épico, digno do Paulista daquele ano, que deixou a Portuguesa com o gosto amargo do ponto perdido em casa, enquanto a Ferroviária celebrava um resultado heroico.