Moisés Lucarelli - Campinas, SP

Sobre a Partida

Era 8 de abril de 1973, um domingo de sol ardente e de emoções à flor da pele em Campinas. O Estádio Moisés Lucarelli fervilhava, testemunhando um duelo que prometia faíscas: a briosa Ponte Preta, sempre pronta a desafiar os gigantes da capital, recebia o temido Palmeiras da Segunda Academia. Uma equipe que vinha empilhando títulos, com craques como o goleiro Leão, o zagueiro Luís Pereira, o motor Dudu e, claro, o maestro Ademir da Guia, enfrentava a garra e a técnica da Macaca, liderada pelo gênio Dicá.

O jogo começou como esperado, com o Verdão impondo seu ritmo e a qualidade técnica de seus meias. Não demorou para a genialidade alviverde se manifestar: em uma jogada rápida, a bola chegou a Ademir da Guia, que com sua visão privilegiada, lançou César Maluco. O artilheiro, com sua frieza habitual, não perdoou, balançando as redes e calando por um instante a torcida campineira. 1 a 0 para o Palmeiras.

Mas a Macaca tinha brio. Impulsionada pelo seu torcedor apaixonado, a Ponte não se entregou. Em uma jogada de pura raça e precisão, após um escanteio cobrado com maestria por Dicá, a bola encontrou a cabeça de um zagueiro ponte-pretano, que testou para as redes, explodindo o Majestoso em festa. O empate veio, lavando a alma do time e da torcida. O restante da partida foi um embate tático, com chances para ambos os lados, mas o placar permaneceu inalterado. Um ponto de ouro para a Ponte Preta, que mais uma vez provava ser um adversário indigesto, e um tropeço que o grande Palmeiras da época sentiu, mas não abalaria sua marcha rumo a mais um Campeonato Brasileiro naquele ano.