Walter Ribeiro - Sorocaba, SP

Sobre a Partida

Em uma tarde de domingo, 15 de julho de 1973, o Estádio Walter Ribeiro, em Sorocaba, pulsava com a expectativa de um clássico interiorano no Campeonato Paulista. De um lado, o valente São Bento, o Azulão, sonhava em derrubar um gigante; do outro, o Santos, o lendário Peixe, ainda carregava a aura de sua era de ouro, e em campo, para a alegria dos torcedores, estava ele: Pelé.

A rivalidade não era de velhos embates, mas da disparidade entre a força do interior e a realeza da Vila Belmiro. O São Bento, sob o comando do técnico Alfredo Ramos, apresentava uma defesa aguerrida, com jogadores como Serginho e Zé Carlos, determinados a parar o ataque santista, que contava ainda com a genialidade de Edu e a solidez de Clodoaldo. Os sorocabanos sonhavam em fazer história, enquanto o Santos buscava a liderança.

O jogo foi um embate tático, com o São Bento se fechando e buscando contra-ataques, enquanto o Santos pressionava, tentando furar o bloqueio. A torcida local rugia a cada investida do Azulão, mas a experiência do Peixe prevalecia. O momento decisivo veio no segundo tempo. Após uma troca de passes envolvente, a bola encontrou os pés de quem menos precisava de espaço para criar magia. Pelé, o Rei, com um toque preciso e característico, superou o goleiro para marcar o único gol da partida. Um grito de gol ecoou, misto de euforia santista e resignação respeitosa dos beneditinos.

O placar magro de 1 a 0 a favor do Santos não diminuiu o heroísmo do São Bento, que lutou até o fim, resistindo bravamente. Mas era a tarde do Rei, que mais uma vez provava sua eternidade, garantindo uma vitória suada ao Peixe em sua jornada pelo difícil Campeonato Paulista.