Santa Cruz - Ribeirão Preto, SP

Sobre a Partida

Em um domingo escaldante de 29 de julho de 1973, o interior paulista fervia não só com o sol, mas com a expectativa de um grande duelo no Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. O modesto Botafogo-SP recebia o temível Palmeiras, a "Academia" em sua segunda versão, que marchava implacável rumo ao bicampeonato paulista. Não era um clássico ferrenho da capital, mas para a Pantera, enfrentar um gigante como o Verdão era um testamento de sua garra e de seu orgulho local.

O gramado castigado pelo sol testemunhou uma batalha tática. O Palmeiras, com o maestro Ademir da Guia ditando o ritmo e Leão fechando o gol, tentava furar o bloqueio botafoguense. Leivinha e César Maluco esbarraram repetidamente na muralha defensiva montada pelo time da casa, que, impulsionado pela torcida apaixonada, não se intimidava. Aos 28 do primeiro tempo, um disparo de Zeca, do Botafogo, explodiu na trave de Leão, calando o estádio por um instante e lembrando a todos que o futebol, por vezes, desafia a lógica.

No segundo tempo, a pressão palmeirense aumentou. Ademir da Guia, em um lance de pura genialidade, deixou dois marcadores para trás, mas seu passe milimétrico para Luís Pereira encontrou a zaga em impedimento duvidoso. O árbitro, sob protestos, manteve a decisão. A partida seguiu tensa, com o Botafogo-SP resistindo bravamente, transformando cada defesa em uma vitória moral. O apito final selou o 0 a 0, um placar que para o Palmeiras significava dois pontos perdidos na corrida pelo título, mas para o Botafogo-SP, um ponto heroicamente conquistado e a glória de ter parado a Academia.