Sobre a Partida

Numa tarde quente de 12 de agosto de 1973, o Estádio do Canindé fervilhava. O Campeonato Paulista era palco para um dos "clássicos dos imigrantes" mais charmosos: Portuguesa contra Juventus. A Lusa, sob a batuta de Otto Glória, vivia um dos anos mais gloriosos de sua história, caminhando a passos firmes rumo ao título que consagraria a geração de ouro. Do outro lado, o Juventus, o Moleque Travesso da Mooca, sempre aguerrido e buscando surpreender.

Desde o apito inicial, a Portuguesa impôs seu ritmo. Aos 20 minutos do primeiro tempo, após uma trama envolvente pelo meio-campo orquestrada por Basílio, a bola chegou aos pés de Enéas. O craque, com sua habilidade inconfundível, driblou dois defensores grenás com um toque sutil e finalizou rasteiro, sem chances para o goleiro do Juventus: 1 a 0 para a Lusa, e a torcida explodia em delírio.

No segundo tempo, o Juventus tentou reagir, mas a sólida defesa rubro-verde, comandada pelo lendário Djalma Dias, não dava espaços. Aos 15 da etapa final, em um contra-ataque fulminante, Wilsinho disparou pela direita, invadiu a área e, com precisão cirúrgica, acertou o ângulo, ampliando o placar para 2 a 0. O Canindé vibraba, ciente de que a vitória encaminhava a Portuguesa para a reta final do campeonato com moral altíssimo. O Moleque Travesso lutou, mas a tarde era da Lusa, que demonstrava por que seria um dos grandes campeões daquele ano memorável.