Pacaembu - São Paulo, SP

Sobre a Partida

Noite fria de 15 de agosto de 1973 no Pacaembu. O caldeirão fervia, mas não de entusiasmo, e sim de uma ansiedade que se arrastava por quase duas décadas. O Corinthians, com seu "Reizinho do Parque" Rivelino, recebia a Lusa em um clássico de extrema importância no Campeonato Paulista. A Portuguesa, atual campeã paulista, chegava com a moral elevada e um futebol ofensivo que encantava, liderado por Enéas e o jovem Basílio, que mais tarde seria ídolo corintiano. Para o Timão, cada partida era um teste de nervos na interminável busca pelo título que não vinha.

O primeiro tempo foi um embate tático, com o Corinthians tentando a genialidade de Rivelino, mas esbarrando na defesa lusitana. Foi a Lusa, contudo, que abriu o placar. Em um rápido contra-ataque, aos 35 minutos, Wilsinho disparou pela direita e cruzou na medida para Cabinho, de cabeça, superar o goleiro Ado e calar a Fiel. O baque foi sentido. Na segunda etapa, a pressão alvinegra aumentou, mas sem efetividade. O golpe final veio aos 68 minutos: Enéas, em uma jogada individual deslumbrante, driblou dois marcadores e chutou cruzado, rasteiro, no canto, para fazer 2 a 0. A torcida corintiana viu seus sonhos mais uma vez se esvaírem sob o brilho da Lusa. O apito final confirmou a vitória da Portuguesa e a angústia corintiana que parecia não ter fim.