Martins Pereira - São José dos Campos, SP

Sobre a Partida

Era noite de quarta-feira, 10 de novembro de 1982, e o Estádio Martins Pereira fervilhava sob as luzes. O São José, a orgulhosa Águia do Vale, recebia a aguerrida Ferroviária de Araraquara em um confronto vital pelo Campeonato Paulista. Em um ano onde a Democracia Corintiana roubava os holofotes, para clubes do interior como esses, cada ponto era uma batalha pela sobrevivência e por um lugar ao sol no sempre disputado torneio. A rivalidade era latente, com ambas as equipes buscando consolidar suas posições.

O jogo começou com o São José impondo seu ritmo, impulsionado pela torcida. Aos 20 minutos, em uma jogada rápida pela direita, Lela, com sua característica explosão, driblou dois marcadores e cruzou na medida para Tata, que de cabeça, abriu o placar, levando o Martins Pereira ao delírio. A Locomotiva Grená, contudo, não se rendeu. Liderados por jogadores como Vágner, a Ferroviária buscou o empate com insistência e, já na segunda etapa, após um bate-rebate na área, Careca mandou para as redes, silenciando momentaneamente a torcida joseense.

O placar de 1 a 1 injetou dramaticidade nos minutos finais. O São José, precisando da vitória em casa, se lançou ao ataque. E a recompensa veio aos 38 minutos: Cido, em cobrança de falta magistral, colocou a bola na cabeça do zagueiro Célio, que testou forte, sem chances para o goleiro. O 2 a 1 lavou a alma da torcida e garantiu três pontos preciosos para a Águia, em um jogo que personificou a raça e a paixão do futebol paulista daquela época.