Pacaembu - São Paulo, SP

Sobre a Partida

Em meio à efervescência do Campeonato Paulista de 1982, uma tarde de quarta-feira, 17 de novembro, reservou emoções à flor da pele na acanhada, porém mítica, Rua Javari. O modesto Juventus, conhecido por sua garra e torcida apaixonada, recebia o poderoso São Paulo FC. O Tricolor, vice-campeão brasileiro daquele ano e um dos favoritos ao título estadual, buscava a reabilitação na tabela, enquanto o Moleque Travesso sonhava em aprontar uma de suas famosas zebras. A rivalidade, embora não fosse um clássico, sempre prometia um espetáculo de superação e futebol aguerrido.

O São Paulo, comandado por astros como Waldir Peres, o zagueiro-artilheiro Darío Pereyra, o maestro Mário Sérgio e o implacável Serginho Chulapa, não demorou a mostrar sua força. Após uma trama envolvente pela esquerda, a bola chegou a Renato, que com categoria, abriu o placar para o delírio da torcida tricolor presente. Mas o Juventus não se intimidou. Em um contra-ataque fulminante, Jorginho, aproveitando um rebote do goleiro Waldir Peres, empatou o jogo, levando a Rua Javari ao delírio.

O Tricolor, porém, viraria o placar ainda no primeiro tempo com Serginho Chulapa, que, com seu faro de gol característico, recolocou o São Paulo à frente. O segundo tempo manteve o ritmo eletrizante. O Moleque Travesso não se entregava e, em um momento de descuido da defesa visitante, o atacante Gatão, com um chute cruzado indefensável, deixou tudo igual novamente. A tensão era palpável. Quando o empate parecia selado, nos minutos finais, o jovem Éverton, com um lance de puro talento individual, driblou dois defensores e, de fora da área, desferiu um chute rasteiro e certeiro, garantindo a vitória suada por 3 a 2 para o São Paulo. Um jogo para lembrar a imprevisibilidade e o charme do Paulistão de 82.