Zezinho Magalhães - Jaú, SP

Sobre a Partida

Em um crepúsculo de 1982, sob os holofotes modestos do Estádio Zezinho Magalhães, o ar de Jaú fervia com a expectativa de um clássico interiorano pelo Campeonato Paulista. O XV de Jaú, com sua torcida apaixonada, recebia o aguerrido São Bento de Sorocaba, em um embate que valia mais do que os pontos na tabela: valia o orgulho e a supremacia regional. O 'Nhô Quim', comandado por figuras como o zagueiro Chicão, sabia que enfrentar o 'Bentão' – que tinha em Cássio um de seus motores no meio-campo – era sempre uma batalha ferrenha em um ano marcado pela efervescência do futebol brasileiro pós-Copa.

O primeiro tempo foi um xadrez tático, com lances ríspidos e poucas chances claras, refletindo a seriedade de um campeonato que se encaminhava para suas fases decisivas. Mas foi no segundo tempo que a emoção explodiu. Aos 15 minutos, após uma blitz na área do São Bento, o atacante Careca (do XV, não o astro do Guarani/São Paulo), em uma jogada de pura raça, desviou um cruzamento e fez a festa da massa jauense: 1 a 0! O Jauzão virou um caldeirão.

Porém, o São Bento, conhecido por sua fibra, não se entregou. Em uma rápida transição, o camisa 10 Gatão recebeu na entrada da área, driblou um zagueiro e, com um chute rasteiro e preciso, deixou tudo igual aos 30 minutos. O empate trouxe um silêncio momentâneo à torcida mandante, rapidamente substituído por um clamor por mais um gol. Os minutos finais foram dramáticos, com chances para ambos os lados, mas o placar permaneceu inalterado. Um ponto para cada um, um resultado justo para um clássico disputado com a alma que só o futebol interiorano de 1982 podia oferecer. A promessa de um reencontro ainda mais eletrizante pairava no ar.