Canindé - São Paulo, SP

Sobre a Partida

Na noite fria de 25 de novembro de 1982, o Estádio do Canindé, envolto na atmosfera peculiar do Campeonato Paulista, preparava-se para um embate de estilos. A Portuguesa de Desportos, com sua camisa rubro-verde e a tradição de um futebol mais cadenciado e técnico, recebia o aguerrido Comercial de Ribeirão Preto, conhecido por sua garra e solidez. Desde o apito inicial, ficou claro que os pontos seriam disputados com a intensidade de uma final.

A Lusa, comandada pela experiência do xerife Luís Pereira na zaga e com a criatividade de Djalma Freitas e Éder no meio-campo, tentava furar a muralha comercialina. O atacante Renato teve a chance de ouro no primeiro tempo, mas seu chute rasteiro encontrou as luvas milagrosas do goleiro Luiz Fernando, do Comercial, que ainda veria um cabeceio de Toquinho raspar a trave na etapa final. Do outro lado, o Leão do Norte, com a velocidade de Geraldão, apostava nos contra-ataques. Em uma arrancada fulminante, o meia Dema soltou uma bomba de fora da área que beijou o travessão de Serginho, calando o Canindé por um instante.

Foi um jogo de nervos à flor da pele, com ambas as defesas se superando e os arqueiros inspirados. A ausência de gols não significou falta de emoção, mas sim um testemunho da tenacidade tática e da dedicação dos atletas em campo. Ao apito final do 0 a 0, um empate justo que refletia a paridade e a luta até o último segundo, deixando a torcida lusitana e os poucos comercialinos presentes com o lamento de que o gol não veio, mas com o reconhecimento da batalha travada.