Walter Ribeiro - Sorocaba, SP

Sobre a Partida

Numa tarde abafada de domingo, 5 de dezembro de 1982, o Estádio Walter Ribeiro, em Sorocaba, pulsava com a expectativa de mais uma rodada do Campeonato Paulista. De um lado, o Esporte Clube São Bento, aguerrido e buscando cada ponto para consolidar sua campanha. Do outro, o Botafogo de Ribeirão Preto, sempre uma força do interior paulista, com nomes que impunham respeito. Não era um clássico de rivalidade ferrenha, mas a importância de cada duelo no Paulistão daquela década elevava os stakes, em um ano ainda marcado pela frustração da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

O placar final de 0 a 0 pode sugerir um jogo morno, mas a verdade é que foi um embate de intensa disputa tática e entrega física. No meio-campo, a combatividade do São Bento, que contava com a experiência de jogadores como o goleiro Getúlio, um verdadeiro ícone sorocabano, era o contraponto à qualidade técnica do Botafogo, que tinha em Zé Mário um exímio organizador e na liderança de Marinho Peres na zaga, ex-zagueiro da Seleção Brasileira, uma barreira intransponível.

Os gols teimaram em não sair. Houve lances de perigo que prenderam a respiração da torcida: um chute de longa distância de Zé Mário que tirou tinta da trave defendida por Getúlio, e uma cabeçada forte de Gatãozinho, do São Bento, que o goleiro botafoguense defendeu com reflexo felino. A torcida azul e branca de Sorocaba empurrou seu time até o fim, mas a solidez defensiva prevaleceu. Ao apito final, o zero no placar refletia a igualdade de forças e a dificuldade em quebrar a estratégia adversária, um resultado comum em um Paulistão tão disputado e equilibrado.