Barão da Serra Negra - Piracicaba, SP

Sobre a Partida

Em 28 de agosto de 1985, uma tarde vibrante no Estádio Barão da Serra Negra preparava o palco para um embate de puro sabor interiorano no Campeonato Paulista. O aguerrido XV de Piracicaba, o tradicional Nhô Quim, recebia a emergente Inter de Limeira, uma equipe que viria a surpreender o Brasil no ano seguinte. Mais que um jogo, era um duelo de orgulhos regionais, com ares de revanche para o alvinegro piracicabano contra a ascensão leonina.

Impulsionado por sua fanática torcida, o XV de Piracicaba, sob o comando de Basílio, tentava furar a defesa adversária com a velocidade de **Mazolinha** e a garra incansável de **Zé Luiz**. Aos 20 minutos do primeiro tempo, Mazolinha, em uma arrancada pela direita, chutou forte para uma defesa espetacular de Rafael, o seguro goleiro da Inter, que voou para espalmar.

Do outro lado, a Inter, com a inteligência de **João Batista** no meio-campo e a astúcia de **Kita** no ataque, respondia com perigo. No segundo tempo, Kita, em um lance de puro oportunismo após um cruzamento rasteiro, desviou a bola que, caprichosamente, tirou tinta da trave de Raul. O jogo era um xadrez tático, com defesas bem postadas e marcação implacável, mostrando a maturidade tática de Cilinho.

A partida seguiu travada, um reflexo da rivalidade silenciosa entre as duas cidades e da importância de cada ponto na dura jornada do Paulistão. Nem os lances de brilho individual, nem a garra coletiva foram suficientes para tirar o zero do placar. O empate em 0 a 0, embora frustrante para os piracicabanos, demonstrava a solidez da Inter e a dificuldade de vencer o XV em casa. Um ponto valioso para os limeirenses, um gosto amargo para o Nhô Quim, mas um clássico do interior que ficou marcado pela intensidade e pela batalha tática.