Mário Alves de Mendonça - São José do Rio Preto, SP

Sobre a Partida

Na tarde quente de 5 de outubro de 1985, o Estádio Benedito Teixeira, o Teixeirão, em São José do Rio Preto, fervia. Em campo, um confronto que prometia drama pelo Campeonato Paulista: o tradicional Palmeiras visitava o América-SP, conhecido por ser um "matador de gigantes" em seus domínios. A rivalidade, embora não fosse das mais acirradas, elevava a importância do jogo para o time do interior, que sonhava em surpreender.

O Palmeiras, sob o comando de Rubens Minelli, contava com a experiência do lendário Leão no gol e a velocidade de Mirandinha no ataque, buscando a consistência que lhe escapava na competição. Do outro lado, o América, aguerrido e com a torcida empurrando cada lance, tinha em Luís Carlos Gaúcho sua principal esperança ofensiva.

O jogo foi tenso, com poucas chances claras para ambos os lados no primeiro tempo. A defesa do América-SP, bem postada, resistia às investidas palmeirenses. Foi então que, na segunda etapa, o grito entalado da torcida do Diabo Rubro explodiu. Aos 15 minutos, após uma jogada pela direita e um cruzamento preciso, Luís Carlos Gaúcho mostrou seu faro de artilheiro. Ele se antecipou à zaga alviverde e, com um toque sutil, desviou a bola para o fundo das redes, sem chances para Leão.

O gol incendiou o jogo. O Palmeiras, em desvantagem, lançou-se ao ataque, com Jorginho tentando orquestrar as jogadas. Mirandinha e Reinaldo Xavier tiveram chances, mas a defesa do América, liderada por um inspirado Tita no meio-campo, não cedeu. Os minutos finais foram de pura agonia para os donos da casa, mas o apito final selou uma vitória histórica por 1 a 0. Uma tarde para o América-SP celebrar e o Palmeiras lamentar, mostrando a força do interior paulista na década de 80.