Alfredo de Castilho - Bauru, SP

Sobre a Partida

O ano de 1985 no Campeonato Paulista era um palco de paixões, e o interior paulista fervilhava com seus clássicos. No dia 17 de novembro, em uma tarde de domingo tensa no Estádio Alfredo de Castilho, o Noroeste e o Comercial-SP reviveram a centenária rivalidade do "Come-Noro". Mais do que pontos, estava em jogo a honra regional. Com o Norusca mandante, a torcida bauruense empurrava seus guerreiros, liderados pelo goleiro Zé Carlos e o artilheiro Lela, que já mostrava seu faro de gol antes de brilhar em outros palcos. Do outro lado, o Leão do Norte, com Giba no meio-campo ditando o ritmo e o veterano Lela (o do Comercial, um ícone do Bafo) buscando a brecha, não se intimidava. Foi um embate tático, um xadrez no gramado onde cada posse de bola era disputada com ferocidade. O placar, teimoso em seu zero a zero, não reflete a dramaticidade da partida. Houve lances de tirar o fôlego: um chute cruzado de Toninho Catarina que o goleiro Carlos do Comercial espalmou com maestria, e uma cabeçada de Jorginho (Comercial) que beijou a trave de Zé Carlos, silenciando a Castelão por um segundo. A cada lance, a promessa de gol surgia e se desfazia, deixando a torcida em um misto de alívio e frustração. No apito final do árbitro, o empate sem gols selou a igualdade na garra e na estratégia. Ambos somaram um ponto valioso na tabela apertada do Paulistão, mas deixaram a sensação de que o verdadeiro vencedor foi o clima eletrizante do clássico.