Pacaembu - São Paulo, SP

Sobre a Partida

Em uma tarde de domingo, 15 de junho de 1941, o Pacaembu fervia sob o inverno paulistano para um clássico de pura rivalidade: São Paulo FC contra o Palestra Itália. O Campeonato Paulista era o palco, e a disputa pelo topo era feroz. O Tricolor, ainda em ascensão com sua refundação, buscava firmar-se como força hegemônica contra um Palestra consolidado, repleto de craques. Desde o apito inicial, a tônica foi de intensa marcação e poucas concessões. O maestro argentino Antonio Sastre, cérebro do São Paulo, tentava costurar jogadas, mas esbarrava na muralha defensiva palestrina, capitaneada por Junqueira e o incansável Waldemar Fiume. O ataque tricolor com Remo e Luizinho tentava furar o bloqueio. Do outro lado, Romeu Pellicciari e Echevarrieta orquestravam os ataques do Palestra, que encontravam o goleiro Gijo em tarde inspirada, defendendo com bravura. O lance mais perigoso veio de Sastre, que, em um chute potente de fora da área, viu a bola carimbar a trave esquerda do lendário Oberdan Cattani, que já se agigantava sob as metas palestrinas. No segundo tempo, foi a vez de Romeu exigir uma defesa milagrosa de Gijo, após uma trama envolvente. O placar, teimosamente, não se alterou. O 0 a 0 final, apesar de amargo para ambos os lados, refletiu a intensidade tática e a fibra defensiva exibida por São Paulo e Palestra Itália, um embate que se tornaria uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro.